Minha casa
Minha casa está vazia. Mesmo. Tanto que eu preciso me espremer na cama e andar grudada nas paredes. É muito vazio lá dentro. Algumas paredes estão coloridas e onde tem a cor é onde mais vazia a casa ficou. Tenho a impressão de que o arquiteto foi embora deixando o trabalho pela metade... onde eu durmo tem cor forte e é talvez o lugar mais vazio da casa. Tento arrumar a casa de modo que eu consiga chegar do trabalho e deixar as coisas no lugar, mas geralmente as pessoas que entram fazem uma grande bagunça lá dentro. Ninguém toca a campainha e sai entrando. E olha que é preciso de um esforço enorme para tornar bagunçado um espaço tão vazio. Preciso providenciar grades. O mais rápido possível.
Acho que casa precisa ter rede e travesseiro. Porque as horas de sonho são sagradas e a rede chama um coqueirinho. Ah, um coqueirinho...
Casa tem que ser nossa e precisa de gavetas. Eu tenho gavetas e armários. E caixa box. E Janelas que estejam sempre abertas, pois preciso olhar a rua e ouvir pessoas falando - geralmente estão bêbadas saindo do bar. Tem que ter vizinho bar.
A hora da faxina é a mais importante: é o momento de trocar as coisas de lugar e colocar escova de dente no armário do quarto, panela em cima da tevê e sofá ao lado da privada. Desarrumar tudo para depois etiquetar e guardar em seus devidos lugares. Arrumar a casa dá trabalho, alergia, dor no braço e dá sono. Quase durmo no meio da faxina. (Adoro essa palavra, faxina).
Tudo encaixotado? Minha casa está vazia. Pronta pra mudança.
Escrito por Carol às 00h32
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Terapia da palavra
Agora eu escrevo tudo.
Estou cansada, pego o caderno, vou lá na última página e escrevo "estou cansada".
Eu te amo? Alcanço o lápis na bancada e escrevo atrás do post it com telefone de dentista "eu te amo".
Ando assim, desabafando comigo mesma, com a Bia e com a Lelê, através das teclas, do grafite, da caneta e até do vidro embaçado do blindex, durante o banho.
Desabafei assim hoje, através do papel do maiolino, com a moça do ônibus.
entrei no onibus e pedi licença pra senhorinha que tava sentada no corredor. gosto de sentar na janela e do lado direito do ônibus, pra ver as pessoas nos outros pontos, ver a calçada. a coluna esquerda estava super vazia e quando eu pedi licença pra moça ela apontou o outro lado do ônibus, mostrando que estava vazio. falei que eu cismo com a janela da direita e ela falou então faz assim, deixa que eu saio daqui e você senta na sua janela. eu falei ok, obrigada. aí ela levantou falando super alto onde já se viu! ela cisma com a janela! passaram uns três pontos e ela ficava falando sozinha já que ela cisma, né! cismou com a janela! eu escrevi um bilhetinho pra ela e entreguei quando desci do ônibus. tava assim o bilhete: "Continue assim, expondo ao ridículo as pessoas por quem você passa. No mundo em que vivemos, pessoas intolerantes são as que ganham muito dinheiro. Torço por você e para que um dia, pare de fugir do vento".
Escrito por Carol às 00h02
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
ontem
foi quase tudo por água abaixo.
Escrito por Carol às 18h31
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Feliz (????) ano novo!
Janeiro.
Foi de tudo. E foi algo, como uma porta sólida. Seu frio selava a cidade numa cápsula cinzenta. Janeiro foi momentos e janeiro foi um ano. Janeiro fez chover os instantes e congelou-os na sua memória: a mulher que ela viu consultando ansiosamente, à luz de um fósforo, os nomes em uma entrada escura, o sujeito que rabiscou um recado e entregou-o a seu amigo antes de se separarem na calçada, o sujeito que correu um quarteirão atrás de um ônibus e pegou-o. de cada gesto humano parecia emanar uma magia. Janeiro era um mês de duas faces, chocalhando como guizos de bufão, estalando como crosta de neve, puro como qualquer começo, taciturno como um velho, misteriosamente familiar e ainda assim desconhecido, como uma palavra que quase se define, mas que não se chega a definir.
(do livro Carol, de Patricia Highsmith)
Escrito por Carol às 14h08
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Olho obeso?
Não sei se o chaveiro de olho grego que eu comprei é vagabundo ou se tem um olho gordo (gordo e poderoso) em cima de mim. Em menos de uma semana, as bolinhas todas soltaram. Logo na minha primeira semana de novo emprego.
hummmm...
Escrito por Carol às 22h15
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Presente!
Adoro presentes: ganhados ou dados, não interessa, fico feliz ao chegar no lugar com um embrulhinnho nas mãos - fico tão feliz que evito as compras de muita antecedência, pois elas incitam minha ansiedade e eu fico querendo contar o que comprei, querendo dar antes do dia certo.
É gostoso ganhar presentes, abrir o papel de fora, ver o que tem dentro, algumas vezes fingir que gostou, outras gostar de verdade, perceber que esqueceu de levar um saco enorme para guardar todos e pensar "xi, como vou carregar tudo isso pra casa?", falar "cara, brigadão, como você sabia que eu tava doida por esse cd? Você ligou pra minha mãe?" e claro, chegar em casa e guardar cada coisa em seu lugar.
Os mais legais são os presentes de aniversário, acho que porque são só seus; não que os de natal não sejam, mas aniversário é o seu dia; você não é presenteada pelo nascimento de Jesus, e sim pelo seu. Só uma pessoa é presenteada no ambiente de comemoração, fora que natal é um saco! Mas isso é assunto para outro post.
Não sei o que prefiro, acho que dar presentes é mais bacana, - não que ganhar não seja maravilhoso, mas faz parte do lado pavão do ser humano ver quando acertou em cheio no mimo escolhido para seja lá quem esteja aniversariando - eu sempre penso em alguém que gosta daquela banda cujo cd eu vi na vitrine, na amiga que adora quela bala rosa, quando está no ônibus e o menino aparece vendendo 15 por um real, no namorado que é louco por aquele docinho que parece um ouriço, que acabou de ser colocado no balcão daquela doceria da esquina... Sempre que dá, eu compro e presenteio, não interessa o dia da semana ou do mês.
Lendo assim, se eu parasse por aqui, todos fechariam a página acreditando na minha capacidade e dom de dar presentes maravilhosos. Se você, leitor, quer ter essa bela imagem de mim, clique no X de fechar agora, antes de passar para o próximo parágrafo, no qual contarei a respeito do trauma que me acompanha há um certo tempo.
OK, não fechou. Bora, então.
Todo mundo troca os presentes que eu dou. Ééééééé!
Tenho uma amiga desde as épocas de escola e sempre dava blusinhas, bolsinhas, brinquinhos etc, de natal e de aniversário. Às vezes eu errava a cor, o tamanho, o modelo, não sabia que ela tinha uma super alergia àquele material, ou que até gostava daquela banda, mas preferia aquele cd de coletânea do cantor de black power... lembro que, no aniversário dela de 15 anos, liguei para sua mãe com o objetivo de pegar o nome daquele perfume francês, sonho de consumo dela: "mas Carol, é super caro esse perfume!" - "não tem problema, eu quero dar um presentão pra sua filha, sei que esse ela vai amar."
Perfume comprado, embrulhado, dia da festa, amiga, amei o presente, brigada mesmo, você vai dormir lá em casa hoje depois da festa, né? A gente abre os presentes, come os docinhos e amanhã você vai comigo levar minha irmã ao aeroporto, a festa foi show, ela amou o presente e no dia seguinte, lá fomos nós levar a irmã dela ao aeroporto, e ela, devidamente perfumada com meu super presente, o tal de Narcise de Chloé, o presente mais legal que ela ganhou naquele dia.
Mermão, não é que a bichinha passou mal com o cheiro do perfume e vomitou no estacionamento do aeroporto? Vomitou muito, vomitou horrores, fazia cara de passando mal, tapava o nariz. Falava que o cheiro estava sufocando ela.
Trauma.
Ano passado foi a vez do aniversário do meu namorado. Primeiro aniversário que eu passei com ele, queria dar um presente foda. Um presente bonito, útil, que fosse de encontro aos interesses do rapaz, que é fotógrafo. Fui na livraria que ele adora, passei a tarde pentelhando a vendedora que me ajudou pacientemente a escolher um livro de fotografias que fosse bacana, tivesse uma proposta diferente, escolhi o livro de fotos de moda, dos anos 30 aos atuais, mais um livrinho todo diferentão de fotos doidas.
Brigada, linda, po, bacana esse livro, smack. Baby, acho que vou trocar esse livro, porque é muito ligado pra foto jornalística, folheei ele todo e agora vou escolher um outro que me agrade mais. Esse livrinho pequeno também é muito bom, mas vou levá-lo junto com o grande, para poder trocar por um maior ainda.
...
Trauma.
E não é que esse ano, o menino fez aniversário de novo?
Rodando por Ipanema, descobri uma loja com umas camisas diferentonas, comprei duas e veio à minha cabeça uma super idéia de presente: vou dar um kit, cheio de coisas bacanas, uma coisa de cada loja, para se ele for trocar, ter que passar uma tarde inteira pela rua, indo de um lado a outro, para trocar cada pedacinho do presente. Botei tudo num envelope de pano da papelaria.
Ele amou.
Ontem estava aqui com a camiseta do chocolate wonka que EU ACERTEI NA COR, NO TAMANHO E NA ESTAMPA.
Sorte a dele.
Dever cumprido.

Escrito por Carol às 09h52
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Dando corda à rabugice
Eu ia postar hoje uma lista dos meus furos com as pessoas. Não tenho tido muitas vontades de sair de casa, por mais aprazíveis que possam ser as companhias e os programas. Minha monografia anda mais que atrasada, minha grana mais que curta, minha desenvoltura nos processos seletivos mais que inúteis, e a minha paciência mais que frágil. Todos esses ingredientes juntos tornam seguro o meu emburacamento no quarto (agora com ventilador de teto). E tal emburacamento, por consequência óbvia e imediata, faz com que eu vare a madrugada tentando terminar ou evoluir meu (maldito) trabalho de fim de curso.
Mas resolvi postar outra coisa. Uma coisa que eu odeio.
Odeio quando brigo com alguém - estou falando de brigar feio mesmo, falar e ouvir coisas horríveis - e depois o alguém deixa passar um tempo e, como se nada tivesse acontecido,liga para a minha casa, ou até mesmo entra nela e, sem a menor cerimônia, fala feliz que comprou o sorvete que você gosta, pergunta como vão as coisas no trabalho e fala que ainda bem que eu não passei na dinâmica daquela empresa, pois ela não servia para mim.
Acho esse tipo de approach o fim, porque na minha terra, você não troca ofensas pesadas com alguém e depois volta ao normal sem uma conversa séria - e difícil, dependendo de quem essa pessoa seja, e da relação que os dois têm estabelecida - na qual sejam colocados todos os pingos nos is; para que, futuramente, essas coisas que ficam engasgadas (ai do ser bem resolvido que comentar que nunca fica engasgado depois de uma super discussão porque possui um espírito evoluído; nem vem que não tem: sempre você vai olhar a pessoa como "aquela que falou que você não vale um tostão furado - substitua a expressão vovó pela barbaridade ouvida) não acumulem, fazendo com que a próxima discussão se torne tão pesada quanto a anterior.
Daí neguinho consegue piorar a situação que já não é tão bacana assim.
A questão é que andava sem falar com meu pai. Sem falar mesmo. E o negócio tava durando duas semanas já. Meu irmão ficou doente - mononucleose ou rubéola? (mas isso é papo para outro post) - e Rose viajou. Meu pai acampou na minha casa para que meu irmão de 29 anos não passasse as noites sem pai nem mãe. Impossível não falar com o seu pai que está jantando ao seu lado, na sua sala, rindo junto com você da Grande Família.
Aí ele puxa papo. Aí eu vou tomar chope com as amigas, para chegar quando ele já deitou. Aí no outro dia ele fala: vai sair? E eu falo: não, mas não vou dormir em casa. Ele fala: puxa, mas eu estou aqui. Eu falo: ... É. Eu não falo nada. E ele fala: comprei sorvete. Eu falo: já tomei sorvete hoje. Ele fala: é napolitano. Eu falo "..." de novo. E ele fala que foi bom que eu não tenha passado na dinâmica de grupo, pois a outra empresa para a qual estu fazendo prova é muito melhor. Aí eu peço licença do meu quarto porque inventei que ia trocar de roupa.
A Rose chegou ontem e eu hoje resolvi dar uma chance ao velho para que pudéssemos conversar. Liguei e falei que ia correr na Lagoa, se ele não queria ir. Aí ele foi. Pensei que aí residia uma ótima chance para que a conversa dos pingos nos is acontecesse. Que nada. Ele chamou uma "amiga" para correr com a gente. E danou a me elogiar para a moça, que não parava de ser simpática, evidentemente querendo ser bacana com a filha do moço que sabe-se lá o que anda acontecendo entre os dois.
Aí você fica se sentindo uma idiota de 10 anos, com quem o pai precisa tomar cuidado antes de apresentar sua nova companhia, e, por isso, arma uma bajulação em dupla.
E isso tudo, só porque pensou na possibilidade de consertar as coisas...
Escrito por Carol às 22h55
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Sorvetitália
- Moço, posso provar o de doce de leite com coco?
hmmm... delicioso...
como é esse de yogurt pecan?
- É sorvete de iogurte, com pecan.
- hum. Deixa eu provar?
caraca... bonzão...
Tá, decidi! Dá um copinho de chocolate com macadâmia!
Escrito por Carol às 20h04
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Conversa de trabalho
A: Olha, eu vou à tarde hoje, mas me passa aquelas alterações que eu tenho que conferir, para vocês poderem mandar logo para o cliente. Eu faço aqui em casa mesmo.
B: Ok, aceitaí que esse é o doc das alterações.
Envio concluído.
A: Mandei pra você aquelas respostas, dá uma conferida para ver se estão certas. Vou fazer agora as alterações.
(...)
B: Acabei de responder o seu e-mail. Tem algumas correçõezinhas, mas você pode fazer depois.
A: Tudo bem, sem problemas. Aquele capítulo são 23 páginas mesmo?
B: Não, são 22, mas a gente já está terminando de atualizar a última.
A: ok
(...)
B: Olha, a Angela vai ligar para você. Ela ligou pra cá e eu achei que você estivesse no banheiro a gente está se falando tanto pelo msn que eu esqueci que você não estava aqui. hehehehe

Escrito por Carol às 12h23
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Dias de Trovão apresentam: Processo Seletivo
Você precisa estar às 8:00 num lugar, munido de currículo impresso, documento com foto e como não podia deixar de ser, uma boa aparência. O despertador está programado para as 6:00, mas é claro que um dia antes a sua menstruação resolve aparecer, fazendo com que o dia daquele processo seletivo - tarefa que habita léguas de distância das suas habilidades - caia no segundo dia do seu ciclo. (Quem convive com tais ciclos uterinos sabe bem o tamanho da catástrofe). Obviamente você não ouve o despertador (nenhum dos dois!) tocar porque passou a noite inteira se sentindo mal. Acorda com o rosto muito inchado e os olhos praticamente nipônicos, nenhum botão das suas saias e calças encontra sua respectiva casa (Naaaaaaaaada fecha) e os minutos só andam pra frente fazendo chegar a hora que você deveria estar na portaria trocando o documento com foto pelo crachá de visitante da empresa. A sua mãe dá a solução mais simples possível dizendo que essa blusinha está linda, e que é só vestí-la com uma calça jeans. Aí você grita que está sem calça jeans (post abaixo) que não seja rasgada na bainha e que não pode aparecer lá assim. E ela, fechando com chave de ouro, sai do quarto falando que não quer se meter, mas já são quase oito horas e você vai se atrasar. Vem então, à sua cabeça aquele juramento que aquele grito que vai dar agora é o último do dia, pois precisa se manter calma, afinal, você vai fazer uma prova de matemática (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!). E claro, você nem valoriza muito o fato de que a impressora resolveu manchar o papel todo do seu currículo impresso para entregar depois da prova. O motorista do taxi diz que vai ser tranqüilo, o trânsito pra lá agora está limpo, a não ser a seqüência de sinais vermelhos, o caminhão parado no meio da pista e aquela batida na ladeira do Pasmado. Ufa. A portaria está lotada de pessoas com crachá escrito "Processo seletivo". O rh atrasou.
Escrito por Carol às 22h21
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
A coisa certa na hora errada
Eu preciso de um microfone para falar com minhas amigas bem sucedidas que agora habitam a algumas léguas da terra natal. Com esse lance de Internet, até a saudade fica diferente: você vê a pessoa na janelinha do msn, fala com ela sem gastar telefone e etcétera.
Só que o microfone que eu tenho aqui, daquele fonezinho de telemarketing entrou numa de não acontecer no meu computador. Funciona em todos os outros micros, menos no meu. Já tentei reconfigurar, tirar e colocar, plugar em outra entrada, ainda que destinada ao fone ou ao cabo de rede - este último é apenas uma forma de expressão -, mas de nada adianta.
Então eu penso que tenho que comprar um microfone. Sim, claro. Simplérrimo. Não fosse pelo mísero detalhe de eu não conseguir lembrar disso num momento em que estou na rua, ou em uma hora razoável para sair de casa e comprar essa joça . Só lembro dele muito na madrugada ou num domingo, quando a Nanda ou a Tati entram online e mandam aquele convitinho do msn.
Aí eu fico pensando por que raios eu só lembro das coisas na hora que preciso delas. QUando acaba meu condicionador, eu sou capaz de ficar uns dois dias com cabelos emaranhados por só lembrar de dentro do chuveiro que preciso dele para ficar apresentável. Esses utensílios de banheiro, por sua vez, têm a simples vantagem de serem vendidos em farmácias, as quais possuem o maravilhoso serviço de entregas em domicílio.
Por outro lado, por que eu lembraria de um microfone ou de um condicionador, quando estou andando de ônibus mais preocupada em não dormir e passar do ponto? Nunca aconteceu comigo de estar sentada na praia pegando sol e comendo queijo coalho, pensar que meu remédio pra cólica acabou e que é jogo, no caminho de volta para casa, parar na farmácia e comprar o novo estoque, e o mais importante: realmente parar na farmácia antes de chegar em casa. É claro que na primeira pontada de dor, eu lembrarei do exato momento de queijo numa mão e mate na outra, pensei em comprar o comprimido dos deuses dali a algumas horas.
E algumas coisas são campeãs no quesito "eu só lembro quando não preciso e quando eu preciso me faz uma falta enorme":
:: Microfone (!!!!!!!!!!!!) :: condicionador (!!!) :: Ponstan (!!!!!!!!!!!!) :: Absorvente (!!!!!!!!!!!!) :: Tinta para impressora (!!!!!!!!!!!!) :: Acetona (!!!!!!) :: Algodão (!!!!!!) :: Cotonete (!!!!!!) :: Chiclete (esqueço de comprar depois do almoço e chego à tarde mordendo as cutículas) (!!!!!!!!) :: Calça jeans arrumadinha (!!!!!!!!!!) :: Escova de dentes nova (!!!!!!!!!!!!!!) :: Pilha (!!!) ::
(*) O número de exclamações entre os colchetes cresce de acordo com o tamanho da raiva que me dá quando eu preciso e lembro que esqueci quando não precisava.
Escrito por Carol às 21h34
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
É assim que as coisas são
Eu fiquei menstruada pela primeira vez no dia que a minha bisavó morreu, em 1990.
Foi quando eu entendi que às vezes algumas coisas morrem para que outras possam nascer.
E essa não foi só a primeira menstruação, mas a primeira morte de muitos nascimentos.
Escrito por Carol às 09h22
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Um beijo pra quem nasce
Joana. Maria Angélica mãe, Maria Fernanda tia materna, Lulu avó materna. Tem o Felipe, o Cosby e o Daniel, compondo a ala masculina de um dos pedaços da árvore genealógica dessa recém chegada moça.
Bem vinda aos mundos, Juanita! E boa sorte!
Escrito por Carol às 16h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Bolas fora da copa
- Por que as pessoas gritam vendo futebol? - Pois é, também não entendo. - E ainda me chamam de viado porque eu acho copa do mundo cafona.
*
- Cornetas, odeio cornetas!Alexandre, pega essa aí do teu lado e esconde!
*
Primeiro jogo: Brasil X Croácia. Hora do hino brasileiro. - Fred, quando o Tevez aparecer você me mostra? Pessoas querem matar o ser humano.
*
Brasil X Japão - Mãe, vamos comer um sushi?
*
- Ah, eu não vi o gol, dormi o segundo tempo inteiro... Mesmas pessoas querem matar o mesmo ser humano
*
Galvão Bueno - ... a copa do mundo que ia mudar o país
*
ok, o Galvão Bueno fecha o post.
Escrito por Carol às 10h39
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Manuela
Quando eu nasci, acho que esqueceram de programar meu singelo HD para sempre agir de maneira lógica e esperada. os pais de Manuela, porém, foram mais inteligentes do que os meus: desconfio que um grandão desses da informática e inteligência artificial implantou alguns nanochips que acompanharam seu desenvolvimento físico, psíquico e afetivo.
Aos sete anos, Manuela não titubeava na hora de escolher a sobremesa, ainda que as opções fossem bolo ou sorvete. Eu sempre ficava horas decidindo, até o sorvete derreter e o bolo ficar frio. Manuela sabia sempre que hoje queria brincar de Barbie e não de playmobil e eu ficava com vergonha de perguntar se o playmobil poderia ser o filho nanico da minha Barbie, cuja profissão ainda não tinha escolhido também: acho que ela poderia ser executiva durante o dia e professora num supletivo à noite.
Quando eu conheci Manuela, é claro que nosso romance não deu certo.
Escrito por Carol às 10h11
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|